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Jornalista. Editor do Amigos de Pelotas. Ex Senado, MEC e Correio Braziliense. Foi editor-executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Atuou como consultor da Unesco e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Uma vez ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, é autor dos livros Onde tudo isso vai parar (finalista do Prêmio Açorianos/2026) e O fator animal, publicados pela Editora Lumina, de Porto Alegre. Em São Paulo, foi editor free-lancer na Editora Abril.

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Opinião

Adeus aos amigos

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Como se diz, a política mobiliza o que há de pior nas pessoas. Não é preciso ser um Leonardo de Vinci para ver isso. Basta ir a uma simples reunião de condomínio, especialmente em dia de eleição de síndico, quando todas as fofocas e maledicências chegam ao cume e fazem lembrar da erupção do Krakatoa, em 1887.

Há esse lado terrível, em que as máscaras dão as caras. Mas, se houver senso de humor, ao menos no fórum predial podemos até achar tudo muito divertido, principalmente se a vizinha de porta se engalfinhar com o solteirão do segundo andar. O problema é quando a discussão extrapola o edifício, onde a proximidade dos inquilinos exige certo trato para evitar que tudo descambe para um combate de WWE.

Nesta altura, à reunião de condomínio eu só vou se a chaminé da churrasqueira estiver obstruída e eu precisar dela para o churrasco do meu aniversário. Algo parecido digo da política partidária.

Agora eu só entro no debate se sentir que preciso, mesmo assim quase sempre em termos civilizados, pra evitar perder a razão e ficar escravo do ódio. Não que a minha voz conte muito. Mas um artigo aqui, uma pitada de ironia ali, e vamos tocando a vida, embora seja rude de ver.

Me faz mal, por exemplo, ver alguns de meus amigos de juventude, gente que admirava Truffaut e Morricone, agora declarando apoio a candidatos toscos com passados de fazer corar o assaltante do trem pagador. E mais: babando como dobermanns raivosos contra os oponentes do seu fofo bandido de estimação. Aonde foram parar a sensibilidade e o discernimento dos velhos tempos?

Eles não são o Scooby-doo, mas vale perguntar: Cadê vocês?

Dizem que a polarização política afasta amigos e familiares. Pois eu ando achando que na verdade eu e alguns amigos e parentes nunca estivemos juntos de verdade, que nunca houve real afinidade entre nós. Que a radicalização apenas revelou diferenças pregressas. Venho achando que, quando éramos jovens, o que nos unia era apenas uma cortina de fumaça para encobrir o medo de sermos sozinhos numa época em que precisávamos de validação.

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A passagem do tempo parece mesmo afastar as pessoas, algumas pelo menos, às vezes para nunca mais.

* Cena do filme Jules e Jim, de Truffaut

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Pelotas e RS

Sete de Abril tem rachaduras. Técnicos vão avaliar risco de descolamento de parte da parede

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Parte da parede que caiu na área das caldeiras do edifício SulBanco.

O Sete de Abril apresenta ainda rachaduras na parede. Técnicos da prefeitura vão vistoriar hoje à tarde.

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Brasil e mundo

MORAES, A HYBRIS E O STF

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Medieval town crier holding a brass bell in a foggy village alley

Esta terça (15) tem tudo para ser um momento histórico. As pessoas que não perderam o bom-senso nem se deixaram levar por razões ideológicas entendem que Alexandre de Moraes precisa ser investigado. Ele abusou.

Ditadores são assim. Sempre chega o dia em que produzem ódio na população. Mesmo que não caia de seu poder, Moraes estará maculado para sempre.

Leprosos da Idade Média eram obrigados a portar sinos e tocá-los para avisar as pessoas de que estavam passando, para que pudessem saber e se afastar (imagem). Algo semelhante, com sinal inverso, ocorre com os ministros do STF, que já não podem sair à rua sem serem alvo de desprezo.

Os gregos tinham uma palavra para o que ocorreu e ocorre a Moraes e às demais figuras da república: hybris ou a arrogância quando transpõe os limites permitidos aos humanos. De repente ficou claro o que era evidente.

Há muitos anos, e mesmo fora do âmbito do inquérito das fake news, os abusos e contradições do STF eram claros. Uma hora formavam raciocínio para decidir uma questão, noutra hora, outro raciocínio para a mesma questão.

Se os ministros falharem, quem sabe, como compensação, algumas das garotas de programa não se apresentam para contar novidades. Ia ser divertido vê-las abrindo intimidades, sob os refletores de uma imprensa que de repente acordou de um sono que parecia o da Bela Adormecida, eterno.

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Brasil e mundo

A suruba de Vorcaro e as mulheres

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A revelação da festa patrocinada por Vorcaro, a que compareceram 120 garotas de programa e 20 autoridades masculinas da república, suscitou interpretações malandras e sagazes.

A mais tola, certamente destinada a eleitores carentes de neurônios, veio de uma candidata ao Senado aparentemente suscetível às causas das mulheres. Digo “aparentemente”, pois o argumento da postulante não para de pé. Nem mesmo de lado.

Ela se disse “escandalizada” com o que classifica de “engrenagem de poder que ‘explora’ sexualmente as mulheres”, e pergunta: “Que tipo de homens precisa participar de uma festa em que 120 mulheres (novinhas) estarão disponíveis para apenas 20 deles?”

É uma colocação estranha porque desconsidera o óbvio: o livre arbítrio das mulheres em questão. O tema das mulheres é sempre sensível, e com razão. Mas não se pode vitimizá-las pelos motivos errados, sobretudo quando elas não se consideram vítimas.

Mulheres adultas fazem o que querem com seus corpos (essa autonomia não é uma das lutas pelas quais a esquerda se bate?). Não é crime dispor do próprio corpo. E, como diria la belle de jour, ninguém tem nada que ver com isso.

Que tipo de homem precisa participar da festa? – a candidata pergunta. Ora, todo aquele que quiser e puder. De preferência sem recorrer ao patrocínio de um banqueiro corrupto, eis aqui o problema. Tirando isso, é viver e deixar viver, do mesmo modo que faz qualquer mulher quando contrata um amante de uma página de acompanhantes.

A esquerda costuma torcer o nariz para a iniciativa privada. Com algum humor, poderiamos dizer que se trata disso, mas não é o caso. É puro cálculo eleitoral. Outra vez: cálculo intencionalmente burro, pra seduzir eleitores burros.

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A mais inteligente observação sobre a suruba (palavra feia, mas clara) veio de um intelectual afiado, não lembro agora do nome.

Ele disse que a verdadeira prostituição foi dos homens públicos que participaram da festa, às custas do banqueiro corrupto. Eles é que se prostituíram. Devendo não se vender, se venderam.

Enquanto transavam, não faziam amor. Estupravam a república.

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Brasil e mundo

Idealiza Cidades vence Master Imobiliário e se prepara para levar Parque Una à Paraíba

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A Idealiza Cidades venceu o 32º Prêmio Master Imobiliário de 2026 — o mais alto reconhecimento brasileiro ao setor, na categoria Empreendimento: desenvolvimento urbano. A empresa pelotense concorreu com o projeto do Parque Una Pelotas, o bairro aberto, atualmente em expansão na cidade.

O Master Imobiliário é uma iniciativa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi/SP) e da Federação Internacional Imobiliária (FIABCI/Brasil. E conta com um corpo de jurados das mais fortes instituições do setor. O site da Premiação resume seu significado: “Ser vencedor do Master Imobiliário é muito mais do que receber um troféu. É entrar para a história da excelência imobiliária no Brasil”.

A cerimônia de premiação ocorreu na noite da última quarta-feira (26), no Clube Atlético Monte Líbano. Cerca de mil pessoas estiveram presentes, profissionais do ramo e convidados de todo o País. O arquiteto e urbanista Hélio Mitica (na foto, com Fabiano de Marco, co-fundador da Idealiza) recebeu o prêmio, em nome da empresa.

Mitica esteve no nascedouro do projeto do Una Pelotas e, desde então, vem trabalhando nos demais projetos da Idealiza, fundada pelos pelotenses Ricardo Costa e Fabiano, aos quais se associaram anos depois André Beiler e Lucas Scapin.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por IDEALIZA CIDADES (@idealizacidades)

Com a conquista do Master 2026, a Idealiza acumula seis prêmios nacionais e internacionais, incluindo reconhecimentos a dois outros Parques Unas subsequentes ao de Pelotas, em andamento em São José dos Campos (SP) e Uberlândia (MG). A grande receptividade do mercado fez com que a empresa decidisse criar outro Parque Una, agora na Paraíba, onde a Idealiza adquiriu uma área com aquele fim.

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Pioneirismo

A Idealiza se tornou pioneira no Brasil por transformar o conceito de bairro planejado em um negócio de interesse crescente e de proporções no País. Os brasileiros gostaram da proposta. Tanto gostaram que o volume de imóveis geridos pela empresa, o Valor Geral de Vendas (VGV), é estimado hoje em R$ 23 bilhões.

André Beiler e Fabiano de Marco

Por que as pessoas gostaram dos Parques Una?

Por uma série de razões. Basicamente, os brasileiros gostaram da ideia de viver em um bairro que, mesmo aberto, portanto integrado às cidades, foi projetado não só para oferecer espaços urbanos qualificados, mas também para facilitar sua vida.

Os Unas foram pensados para que as pessoas pudessem desfrutar ao mesmo tempo de um ecossistema composto por moradias, comércios, serviços, área de cultura e lazer. Tudo num mesmo ambiente aglutinador, a poucos passos de um ou outro destino dentro do bairro, o que reduz a necessidade dos inquilinos de se deslocarem para além do bairro. Por exemplo, um morador pode trabalhar no Una, ali comprar produtos variados, contratar serviços de salão de beleza, adquirir passagens aéreas, se divertir, passear, andar de bicicleta. O Una foi pensado para favorecer a conexão entre os inquilinos — para que estabeleçam laços, e formem parcerias para desenvolver projetos e negócios.

“Para nós, não se trata só de vender unidades. Nós estamos planejando os cenários da vida das pessoas, alicerçados nas mudanças correntes dos modos de vida — em outras palavras, estamos pensando no futuro, na importância crescente das conexões entre as pessoas”, explica o arquiteto e urbanista Hélio Mitica.

Lugar bonito

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Quem passeia pelas limpas ruas de tráfego manso do Parque Una Pelotas, logo entende o êxito do projeto. É um lugar bonito, que inspira, e é uma ideia de como poderia ser uma cidade. O Una é atraente aos olhos, organizado, visualmente limpo, voltado ao essencial. A beleza de seus prédios, desenhados em variadas formas criativas, e batizados com belos nomes incomuns, confirmam a preocupação estética de seus idealizadores.

O Una evoca uma mistura de percepções. Há qualquer coisa de futurista na ambientação, algo de muito prático e, ao mesmo tempo, algo de espiritual em sua paisagem, o que tem a ver com a essência humana —projeções indicam que a solidão será crescente das sociedades, problema que a Idealiza levou em conta nas projeções dos Parques Unas.

Associação de bairro

O Una Pelotas não tem muros nem portarias. Mas, nos contratos de compra de suas unidades, os inquilinos assumem o compromisso de contribuir mensalmente com uma quantia para que a Associação do Bairro, por si mesma, mantenha a estrutura de segurança aos moradores e os serviços de zeladoria. Esta providência tem sido essencial para a boa manutenção do bairro, que se livrou de esperar por serviços públicos incertos, evitando que o bairro seja engolido por problemas urbanos comuns à maioria das cidades brasileiras.

Por suas qualidades, os sócios da Idealiza recebem visitas de gestores de prefeituras das várias regiões do País. Eles aterrissam em Pelotas buscando conhecer o projeto — pensando em reproduzir a experiência no planejamento urbano de suas cidades. E também recebem a cobertura da imprensa. “Foi muito bom estar com o Amigos de Pelotas (na premiação do Master), depois de uma década do veículo acompanhar este projeto, com muitas reflexões e aprendizados. Ganhou a cidade, com imprensa crítica, livre, empreendedor que ouve, estuda, arrisca e população que acreditou”, disse Fabiano de Marco.

Expansão do Una Pelotas

O Una Pelotas completou 10 anos em 2025. E agora seus sócios preparam sua expansão. O bairro tem hoje 18 hectares. Na expansão, dizem, terá mais 15 hectares. E a projeção é de que, nos próximos anos, o bairro reúna entre 12 mil e 15 mil habitantes, 5% da população pelotense atual.

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Premiações à Idealiza

Além do Prêmio Master Imobiliário de 2026, com o Parque Una Pelotas, na categoria Empreendimento: desenvolvimento urbano, a Idealiza acumula os seguintes prêmios:

Prêmio Master Imobiliário 2025: pelo Parque Una São José dos Campos (SP), nas categoriasMarketing e Soluções Urbanísticas.

RTF Awards 2025 (Rethinking The Future Awards): pelo Parque Una Uberlândia (MG), na categoria Public Landscape (Paisagem Pública). E pelo projeto geral do Parque Una de São José dos Campos (SP).

 Prêmio Master Imobiliário 2024: pelo projeto do edifício Canto (Parque Una Pelotas (RS), na categoria Marketing. E pela torre Coa (Uberlândia MG), na categoria Comercialização.

Prêmio Master Imobiliário 2021: pelo sucesso de vendas recorde do condomínio Estância dos Montes Home Resort.

GRI Awards 2019: peloParque Una Pelotas (RS), eleito o melhor projeto de loteamento do Brasil, em votação popular.

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Opinião

PARECE INACREDITÁVEL, E É…

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Atualizada às 18h57

A prefeitura informou hoje que vai contratar uma empresa para lhe dar “assessoria técnica, visando aprimorar o trabalho de zeladoria (limpeza, roçado e conservação)”, feito por outra empresa, a Sersul.

A nova empresa, diz a pref., produzirá “um mapeamento ‘minucioso’ das áreas onde os serviços de zeladoria são necessários, para orientar a Sersul”.

Menos mal que pretendem um mapeamento “minucioso” e não um mapeamento “por alto”, se não o caso seria ainda mais complicado.

De qualquer modo, não era para tanto.

Bastaria ao pessoal da pref., até mesmo ao prefeito, dar umas voltas de carro para identificar as áreas carentes de limpeza. Por sinal, que papel tem, afinal, a secretaria de serviços urbanos?

Além disso, os gestores públicos acumulam conhecimentos dos temas da cidade e os transmitem em transições de governo.

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Aquelas voltas de carro e esses conhecimentos resolveriam. E poupariam dinheiro público.

O Brasil está tão cheio desses absurdos, desses estranhos gastos, que já quase ninguém presta muita atenção.

PS: além do mais, é impossível medir áreas que necessitam de zeladoria, por meio de georeferenciamento (aferidas em imagens de satélite), como a prefeitura pretende. Será sempre um dado impreciso. Georeferenciar a cidade igualmente não faz sentido. Geograficamente, Pelotas não mudou como se quer fazer crer.

Pra que georefenciar o que já se sabe?

https://rubensamadorjunior1790473646000.1410095.meusitehostgator.com.br/2026/08/07/prefeitura-diz-que-vai-contratar-empresa-para-ajuda-la-a-aprimorar-limpeza-da-cidade/pelotas/anacatnc/
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Cultura

Farmando aura

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária

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Ainda não entendi totalmente o que seja farmar aura. Sei é que deve ser grave, pois vem arrepiando os cabelos até de senhoras que os prendem com laquê.

Uma delas, com ares de professora aposentada, foi ao Instagram protestar contra a nova onda adolescente.

“Sinto vergonha alheia, VER-GO-NHA! Onde estão os pais? Que será do futuro dos nossos jovens?”

Enquanto falava, ela sacudia verticalmente a cabeça com tal veemência que seu topete armado subia e descia repetidamente. “Mas onde é que estamos?”

Até aqui o entendimento pleno do fenômeno de farmar aura é precipitado. Será preciso esperar um pouco mais.

Pelo que li ontem, seria um modo de adquirir reputação por meio de movimentos corporais repetitivos, alguns mais, outros menos criativos.

Já hoje vi que tais movimentos não precisam ser convulsionados. Embora repetidos, podem incluir passos de capoeira, saltos ornamentais. Cada adolescente encontra sua própria forma de farmar sua aura. De firmar seu carisma.

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Cada geração cria uma moda nova.

Nunca se sabe exatamente quando ela surge. Pode a pessoa que a criou nem se dar conta de que o fez. De repente alguém vê, percebe naquilo uma conexão emocional e a coisa explode.

Há mais ou menos um ano, muito antes da atual onda de farmar aura, vi nas redes um vídeo de um garoto oriental que pode, por que não, ter sido um estopim do farmar aura. Um sinal do que estava por vir. Em tempos virais, vai-se saber.

No que me pareceu uma rave, o garoto faz repetitivos e graciosos movimentos diante de uma garota mais alta e pouco mais velha do que ele. Está interessado nela, mas a garota se conserva imóvel, indiferente a ele. Mesmo assim o garoto prossegue em seus movimentos, seguro de impressionar. Do mesmo modo, agora, em geral são meninos que se movem para farmar aura.

Pois farmar aura pode ser, inclusive, isso: um tipo de dança, comum na natureza, em que o macho demonstra habilidades para seduzir a fêmea, como faz o pavão com suas trêmulas penas; agora, porém, com o sentido mais amplo de mostrar simbolicamente ao mundo — um mundo em que as oportunidades parecem raras para a maioria dos jovens — que eles “são alguém”. Que merecem atenção.

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária.

Se olharmos em volta, há gente de todas as idades farmando aura. Saltando de um pé pro outro, o candidato Flávio Bolsonaro, com sua dancinha nos comícios, farma aura.

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De chapéu Panamá, andando de um lado pro outro e fazendo uso do automático discurso do “nós contra eles”, Lula insiste em farmar aura. Está meio cansativo, mas ele insiste. Trump, este é professor de farmar aura, e não só pela dancinha.

Até a professora citada, com sua indignação, farma aura, como atesta, subindo e descendo nervoso, seu duro topete repintado de louro.

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Cultura

DIA D, novo filme de Spielberg, emociona quando ‘mergulha no drama humano’

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Retornando a uma temática que rendeu filmes como Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), E.T.: O Extraterrestre (1982) e Guerra dos Mundos (2005), o diretor Steven Spielberg retoma a parceria com o roteirista David Koepp, de Jurassic Park: Parque dos Dinossauros (1993), em uma trama de ficção científica e fantasia épica.

Ao longo de quase duas horas e meia, Dia D apresenta um especialista em segurança cibernética, Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor), que junto com colegas liderados pelo idealista Hugo Wakefield (Colman Domingo), roubou arquivos confidenciais do governo dos Estados Unidos para torná-los públicos, e uma meteorologista da TV, Margaret Fairchild (Emily Blunt), que descobrem uma conspiração do governo para encobrir evidências sobre a vida alienígena e seu contato com a humanidade. Eles partem em uma missão perigosa contra o líder corporativo Noah Scanlon (Colin Firth) para finalmente revelar as provas e a verdade para bilhões de pessoas.

Especialista em blockbusters, poucos diretores entendem a indústria cinematográfica de Hollywood como Steven Spielberg. Ao longo de sua inigualável carreira, uma das temáticas que mais lhe fascina é a do contato extraterrestre, entregando produções que se tornaram clássicos do cinema, mas também ajudando a moldar o imaginário sobre os alienígenas na cultura pop. Sua visão otimista retrata os alienígenas como pacíficos e não ameaças invasoras, com exceção de Guerra dos Mundos, onde reimaginou a clássica invasão alienígena do livro de H.G. Wells. Aqui, o cineasta reflete sobre teorias governamentais e a verdade sobre a vida extraterrestre. Aliás, Spielberg já revelou em entrevistas que acredita fortemente que a humanidade não está sozinha no universo.

Dia D é um filme que se pode dividir em duas partes. A primeira metade mostra uma trama misteriosa e arrastada, enquanto que a segunda é frenética, com muita ação e movimento, bem ao estilo do diretor. O roteiro escrito por Spielberg e Koepp passeia com facilidade por diferentes gêneros, como thriller de espionagem, ficção científica, suspense, ação, drama social e até comédia. O longa constrói um jogo de gato e rato cheio de tensão, mas, por vezes existe um excesso de informações e correria na narrativa, porém o diretor conduz tudo de forma dinâmica, desenvolvendo seus personagens durante uma corrida conta o tempo e entrando em profundos embates filosóficos, religiosos e morais.

Com a melhor atuação de sua carreira, Emily Blunt entrega uma atuação inspirada, guiada pela força do olhar (sempre fundamental e impactante na filmografia de Spielberg). Sua personagem serve como condutora dos mistérios e conspirações da trama ao lado do personagem de Josh O’Connor, o responsável por montar um quebra-cabeça que explica o propósito de seus personagens para o público enquanto eles abraçam a busca pela verdade. O’Connor faz um sólido trabalho, dividindo boa parte das cenas com os ótimos Colman Domingo e Eve Hewson. Como vilão, Colin Firth interpreta com uma dose certa de caricatura, representando uma das críticas mais diretas do filme sobre o vilão corporativo e a arrogância institucional.

Com uma amizade de 50 anos com Steven Spielberg e uma parceria que rendeu 30 filmes (é a colaboração mais duradoura e bem-sucedida da história do cinema), o compositor John Williams entrega uma trilha sonora grandiosa, apesar de contida, trazendo emoção na medida certa. Ao lado do diretor desde A Lista de Schindler (1993), a fotografia de Janusz Kaminski evidencia a luz que, como sempre no cinema de Spielberg, tem uma função quase espiritual. Ela atravessa janelas, invade corredores e pulsa em dispositivos alienígenas.

No retorno ao gênero que o definiu como cineasta, Dia D traz Steven Spielberg de volta ao cinema de blockbuster, conduzindo como um maestro cenas de ação implacáveis e toda a tensão e suspense de conspirações e mistérios de ficção científica. Ao mesmo tempo, emociona quando mergulha no drama humano.

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Cultura

‘Sonhos de trem’ é um filme sensível e impactante. Por Déborrah Schmidt

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Robert Grainier (Joel Edgerton) é um lenhador que trabalha na construção de ferrovias no início do século XX nas florestas densas do oeste americano. Por conta do trabalho, ele passa longos períodos afastado de sua esposa, Gladys (Felicity Jones), e da filha recém-nascida. Após uma tragédia familiar, Grainier enfrenta a solidão e o luto e precisa se adaptar a esse novo ambiente.

Adaptação do livro de Denis Johnson, Sonhos de Trem tem o roteiro de Greg Kwedar e a direção de Clint Bentley. Ambos trabalharam juntos no ótimo Sing Sing (2023), porém em funções contrárias. O longa poderia facilmente apelar para a melancolia, mas prefere discutir temas delicados como memória, perda, passagem do tempo e a contemplação da vida de um homem marcado pela dor. Sonhos de Trem pode ser lento, mas é justamente nesse ritmo que ele encontra sua profundidade. E nos arrebata de forma surpreendente.

Entregando a melhor performance de sua carreira, Joel Edgerton está brilhante e completamente entregue à complexidade de seu personagem. Carregada de dor, arrependimento e solidão, sua atuação transmite muito dizendo pouco. Ainda em cena, ótimos coadjuvantes como a excelente Felicity Jones, como a amorosa esposa do protagonista, o cativante Arn Peeples, vivido por William H. Macy, e Kerry Condon, que mesmo com pouco tempo de tela oferece a ele a esperança que mais precisa, além da narração de Will Patton.

Simplesmente de tirar o fôlego, a fotografia do brasileiro Adolpho Veloso é poesia em forma de quadro. Cabines iluminadas à vela, florestas densas e noites profundas realçam a solidão e, somado a tudo isso, a trilha sonora de Bryce Dessner intensifica a emoção de cada cena.

Visualmente e emocionalmente deslumbrante, Sonhos de Trem é sensível e impactante. Disponível na Netflix, é, sem dúvidas, um dos filmes mais extraordinários do ano.

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Cultura

O melancólico e belíssimo Frankestein. Por Déborah Schmidt

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Com mais de 60 adaptações para o cinema, o clássico do terror de Mary Shelley ganha uma nova versão pela mente do brilhante Guillermo del Toro. Com uma assinatura narrativa conhecida pela mistura entre a fantasia e o terror, monstros humanizados e uma estética visual marcante, a paixão pelo gótico e pelo realismo fantástico permeiam as produções do diretor mexicano. Aliás, seu primeiro filme, Cronos (1992), é uma grande referência ao trabalho de Mary Shelley, em uma filmografia que ainda incluiu a obra-prima O Labirinto do Fauno (2006) e os vencedores do Oscar A Forma da Água (2017) e Pinóquio (2022).

Frankenstein acompanha o brilhante, mas egocêntrico cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac), que dá vida a uma criatura monstruosa (Jacob Elordi) em um experimento que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Del Toro divide a estrutura do filme em duas partes. Além de um prelúdio, temos pontos de vista completamente distintos entre o criador e a criatura e, com isso, Oscar Isaac e Jacob Elordi dividem o protagonismo de suas jornadas. É interessante notar que essa versão foge da história de horror e explora muito mais o drama emocional dos personagens, em temas como abandono, culpa e redenção. Se na obra original a criatura é violenta, aqui ela é retratada de forma mais empática, em uma mudança que impacta diretamente na narrativa e nos relacionamentos, como com Elizabeth (Mia Goth), a noiva do irmão mais novo de Victor. Ainda no elenco, vemos Heinrich Harlander (Christoph Waltz), um rico negociante de armas e patrono das artes que concorda em financiar os experimentos do Dr. Frankenstein. Em tempo: Mia Goth ainda é vista em cena com outra personagem, Claire Frankenstein, a falecida mãe do protagonista.

Tecnicamente grandioso, a caracterização do monstro também impressiona, principalmente por não trazer parafusos na cabeça e optar pelo realismo a partir da mistura de partes de corpos diferentes. Como sempre, sou suspeita para falar do magnífico Alexander Desplat. Sua trilha sonora é uma combinação de lirismo e emoção, transmitindo toda a beleza da tragédia criada por Mary Shelley.

Com 2 horas e meia de duração, a sensação que fica é que dava para encurtar a trama em, no mínimo, meia hora. É como se a paixão do cineasta pelo projeto o impedisse de cortar excessos desnecessários, que acabaram prejudicando o ritmo e tornando o filme cansativo em sua metade final.

Melancólico, o Frankenstein de Guillermo del Toro é belíssimo e, apesar de alguns deslizes, mergulha no universo do personagem pelo olhar de um dos grandes mestres do gênero.

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