A revelação da festa patrocinada por Vorcaro, a que compareceram 120 garotas de programa e 20 autoridades masculinas da república, suscitou interpretações malandras e sagazes.
A mais tola, certamente destinada a eleitores carentes de neurônios, veio de uma candidata ao Senado aparentemente suscetível às causas das mulheres. Digo “aparentemente”, pois o argumento da postulante não para de pé. Nem mesmo de lado.
Ela se disse “escandalizada” com o que classifica de “engrenagem de poder que ‘explora’ sexualmente as mulheres”, e pergunta: “Que tipo de homens precisa participar de uma festa em que 120 mulheres (novinhas) estarão disponíveis para apenas 20 deles?”
É uma colocação estranha porque desconsidera o óbvio: o livre arbítrio das mulheres em questão. O tema das mulheres é sempre sensível, e com razão. Mas não se pode vitimizá-las pelos motivos errados, sobretudo quando elas não se consideram vítimas.
Mulheres adultas fazem o que querem com seus corpos (essa autonomia não é uma das lutas pelas quais a esquerda se bate?). Não é crime dispor do próprio corpo. E, como diria la belle de jour, ninguém tem nada que ver com isso.
Que tipo de homem precisa participar da festa? – a candidata pergunta. Ora, todo aquele que quiser e puder. De preferência sem recorrer ao patrocínio de um banqueiro corrupto, eis aqui o problema. Tirando isso, é viver e deixar viver, do mesmo modo que faz qualquer mulher quando contrata um amante de uma página de acompanhantes.
A esquerda costuma torcer o nariz para a iniciativa privada. Com algum humor, poderiamos dizer que se trata disso, mas não é o caso. É puro cálculo eleitoral. Outra vez: cálculo intencionalmente burro, pra seduzir eleitores burros.
A mais inteligente observação sobre a suruba (palavra feia, mas clara) veio de um intelectual afiado, não lembro agora do nome.
Ele disse que a verdadeira prostituição foi dos homens públicos que participaram da festa, às custas do banqueiro corrupto. Eles é que se prostituíram. Devendo não se vender, se venderam.
Enquanto transavam, não faziam amor. Estupravam a república.

